O Museu de Neurociências Virtual (MN-v) é um macroprojeto de pesquisa dedicado à criação de experiências museais digitais na interface entre neurociências, arte, educação e tecnologias de representação. Iniciado em 2023, investiga como modelagem tridimensional, escultura digital, audiovisual e ambientes virtuais podem ampliar formas de acesso, mediação e produção de sentido em torno do conhecimento neurocientífico.
Questão de pesquisa
De que modo a virtualização de acervos e experiências museais pode reconfigurar formas de mediação, aprendizagem e circulação pública do conhecimento em neurociências?
Situação
Em andamento
Coordenação: Glaucio Aranha
Início: 2023

Do acervo físico ao ambiente virtual
O projeto toma como ponto de partida a possibilidade de digitalizar, modelar e recontextualizar objetos vinculados ao ensino e à divulgação das neurociências, transformando-os em elementos navegáveis de um ambiente museal virtual. O trabalho envolve técnicas de escaneamento 3D, fotogrametria, modelagem e escultura digital, além do desenvolvimento de formas de organização e apresentação capazes de preservar a inteligibilidade científica dos objetos sem reduzir a experiência à simples reprodução do acervo físico.
Essa passagem para o meio digital é tratada como um problema de linguagem e mediação. Um objeto virtual não funciona apenas como cópia de uma peça material: ele passa a integrar novos regimes de visualização, navegação, interação e interpretação. Por isso, o MN-v investiga também como essas transformações interferem na experiência educativa e museal.
Arte, ciência e experiência museal
Além da representação tridimensional de peças anatômicas e outros objetos de interesse neurocientífico, o MN-v incorpora conteúdos de arte-ciência, história das neurociências e visualização de conceitos. A proposta é construir um espaço em que ciência e arte não apareçam como domínios apenas justapostos, mas como sistemas de representação capazes de produzir diferentes modos de aproximação, interpretação e construção de sentido.
Acessibilidade e mediação
A acessibilidade integra a concepção do museu desde seu desenvolvimento. O projeto considera recursos como audiodescrição, Libras, diferentes formas de apresentação multimodal e estratégias de navegação que ampliem as possibilidades de participação de públicos diversos. Nesse contexto, acessibilidade é compreendida não apenas como adaptação posterior, mas como uma dimensão constitutiva do desenho da experiência museal.
Tecnologias investigadas
- escaneamento tridimensional e fotogrametria;
- modelagem e escultura digital;
- ambientes web e experiências em realidade virtual;
- recursos audiovisuais e interativos;
- estratégias de acessibilidade digital;
- experimentações com blockchain e registro de objetos digitais.
Pesquisa associada
O MN-v também funciona como campo para investigações sobre recepção, semiose, audiovisual e experiência museal. Entre os desdobramentos vinculados ao projeto estão pesquisas sobre o uso do audiovisual na virtualização do Museu de Neurociências e sobre os processos de produção de sentido na experiência virtual de estudantes.
Essa dimensão permite tratar o museu simultaneamente como infraestrutura de divulgação científica, objeto de pesquisa e ambiente de formação de estudantes envolvidos em diferentes etapas de desenvolvimento, curadoria, programação, modelagem, mediação e produção audiovisual.
Articulação institucional
O projeto se desenvolve em articulação com o Instituto NUTES de Educação em Ciências e Saúde da UFRJ, o Museu de Neurociências, o grupo de pesquisa CLASS e parceiros vinculados às ações de divulgação científica e educação em neurociências.