… e, de repente,

… e, de repente, tudo era exílio. O prego posto na parede sem quadro. A parede plena de água e cuidado. Os olhos plenos de vagas… De repente, tudo era distante; o diamante era falso; o cadafalso era a garganta; a estrada estava congestionada; a estrada onde eu errava… Em quantos erros acredita o infante…

… e, de repente,

tudo era exílio.

O prego posto na parede

sem quadro.

A parede plena de água e

cuidado.

Os olhos plenos de vagas…

De repente,

tudo era distante;

o diamante era falso;

o cadafalso era a garganta;

a estrada estava congestionada;

a estrada onde eu errava…

Em quantos erros

acredita o infante

até que a dor seja bastante

pra que o passo pare?

e, de repente…

[“… e, de repente,”, Glaucio Aranha, 12/06/2001 – In: Aranha, Glaucio. A sensação de não estar no todo. Rio de Janeiro: Ciências e Cognição, 2025]


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