Imaginários tecnocientíficos e produção de sentido

O macroprojeto de pesquisa Imaginários tecnocientíficos e produção de sentido investiga como Ciência e Tecnologia circulam culturalmente por meio de imagens, narrativas, profissões, instituições e expectativas de futuro, participando daquilo que sujeitos reconhecem como possível, desejável, distante ou improvável. A pesquisa se interessa pelos processos semióticos através dos quais signos tecnocientíficos são apropriados, traduzidos e reorganizados em experiências escolares, midiáticas e cotidianas, articulando cultura científica, educação, subjetividade e projetos de vida.

Questão de pesquisa

De que maneira os sentidos culturalmente articulados em torno de Ciência e Tecnologia modelizam horizontes profissionais, educacionais e existenciais formulados por diferentes sujeitos?

Situação

Em andamento
Coordenação: Glaucio Aranha
Grupo de pesquisa: CLASS

Composição visual sobre imaginários tecnocientíficos, relacionando ciência, tecnologia e percepções de futuro.

Ciência e Tecnologia como signos culturais

A investigação considera Ciência e Tecnologia como signos que adquirem sentidos nas relações que estabelecem com outros textos culturais, incluindo experiências escolares, produtos midiáticos, discursos familiares, repertórios profissionais e expectativas sociais. Essa perspectiva permite observar como determinadas concepções de ciência, universidade, pesquisa, inovação ou futuro se estabilizam culturalmente, ao mesmo tempo em que permanecem sujeitas a deslocamentos e ressignificações produzidos pelas experiências concretas dos sujeitos.

Projetos de vida como textos prospectivos

Uma das hipóteses desenvolvidas no projeto compreende o projeto de vida como uma forma de texto cultural prospectivo, sendo construído com materiais simbólicos disponíveis no presente e atravessado pelas condições concretas de existência. Nessa perspectiva, imaginar uma trajetória profissional envolve reconhecer instituições, pessoas, linguagens, etapas e possibilidades de deslocamento entre uma situação atual e um horizonte futuro. A análise procura acompanhar justamente as operações pelas quais esses elementos se tornam narráveis, permanecem ausentes ou passam a adquirir novos sentidos.

Referenciais e diálogos teóricos

A Semiótica da Cultura de Iuri Lotman constitui um eixo central, especialmente por meio das noções de semiosfera, fronteira, tradução e modelização. O projeto estabelece ainda interlocuções com os imaginários sociotécnicos de Sheila Jasanoff e Sang-Hyun Kim, com a capacidade de aspirar proposta por Arjun Appadurai e com a discussão de capital científico desenvolvida por Louise Archer e colaboradores, permitindo aproximar processos de significação, desigualdade, reconhecimento e construção cultural de futuros.

Eixos de investigação

  • imaginários tecnocientíficos e cultura científica;
  • Ciência e Tecnologia como signos culturais;
  • mídia, audiovisual e circulação pública de representações científicas;
  • juventudes, projetos de vida e futuros possíveis;
  • semiose, fronteiras culturais e processos de tradução;
  • relações entre reconhecimento cultural, pertencimento e participação em trajetórias científicas.

Pesquisas associadas

O projeto dá continuidade a investigações realizadas com estudantes do ensino médio acerca dos signos Ciência e Tecnologia em seus projetos de vida, retomando corpora já produzidos a partir de novas questões analíticas e ampliando o interesse para os modos pelos quais imagens de ciência e tecnologia participam da construção cultural de trajetórias possíveis. O trabalho permanece situado, tratando os materiais empíricos como registros de operações de significação realizadas em contextos específicos.

Articulação institucional

A pesquisa se desenvolve no Instituto NUTES de Educação em Ciências e Saúde da UFRJ e no grupo CLASS, articulando semiótica, estudos de mídia, educação em ciências, divulgação científica e investigações sobre cultura científica.