Houve o Grito e o mundo se fez da Poesia.

A palavra mágica-mater, a geradora,

terrível vociferadora de mundos.

Não a palavra presa nas letras,

mas a palavra cósmica, ecoando;

a palavra-leite, nascitura, errante.

Palavra parindo palavras.

 

Da inintitulada palavra-tudo,

magametáfora fugidia e transmorfa

diante da qual a lógica se curva.

Os racionais pasmam diante do inescrito.

Ah! pedra preta de Mecca,

pintura de Cistinas irônicas,

cântigos inaudíveis dos Vedas,

rezas de mil cultos orgásticos.

 

Da célula cega à célula-mãe,

palavras sempre cegas palavras:

poemogênese.

[“Poemogênese”, Glaucio Aranha, 2016]

letras ao ventopb

 


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