Não sou esta assembleia de matéria,

Mas o fogo que a água apaga,

O vapor que o vento espalha,

O ar que o respirar prende,

A força que nutre a célula,

A massa que molda o olho,

Que gera o visível,

Que aprende o visto,

Que engloba Isto

Que o invisível

Atrás do olho

sente.

Não esta Assembleia de matéria,

Mas os tons que habitam o branco,

O um imanente ao zero,

O dia que a noite come,

A noite em que o dia estava,

O nada que há em tudo,

A ilha a tudo unida,

O absoluto Vazio.

Não sou esta Assembleia de Matéria,

sendo.

[“Brahman”, 2016. Aranha, Glaucio. A sensação de não estar no todo. Rio de Janeiro: Ciências e Cognição, 2025.]

 

(em sânscrito, brahman, forma masculina e neutra de ब्रह्म, brahma)

brahman


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