Glaucio Aranha
As simulações têm se consolidado como uma ferramenta pedagógica no ensino em saúde, promovendo experiências de aprendizado ativas, seguras e controladas. Na formação de profissionais da saúde, essas práticas são especialmente valiosas, pois permitem a aproximação com situações reais de trabalho sem expor pacientes a riscos desnecessários, oferecendo um ambiente no qual estudantes podem desenvolver competências técnicas, comunicativas e comportamentais, preparando-os para lidar com os desafios complexos da prática clínica.
A importância pedagógica das simulações está ancorada em princípios fundamentais da educação experiencial, em que a aprendizagem ocorre por meio da vivência e da reflexão. Nesse sentido, os estudantes são imersos em cenários que replicam a realidade, sendo desafiados a aplicar conhecimentos teóricos, tomar decisões rápidas e trabalhar em equipe. Esse processo fortalece a retenção do aprendizado e estimula o desenvolvimento de habilidades críticas, como a resolução de problemas, o raciocínio clínico e a empatia, aspectos cruciais para um atendimento centrado no paciente.
Além disso, as simulações criam um espaço para erros construtivos, nos quais os estudantes podem experimentar as consequências de suas decisões sem que essas resultem em danos reais. Esse ambiente controlado contribui para a redução da ansiedade, permitindo que o foco esteja na aquisição de competências e na correção de falhas. A prática repetida em cenários simulados reforça a autoconfiança e a competência profissional, facilitando a transição para o ambiente clínico.
O impacto no aprendizado também se destaca pelo uso do debriefing como uma etapa central da metodologia de simulação. Nesse momento, os participantes têm a oportunidade de refletir sobre suas ações, identificar pontos de melhoria e consolidar o conhecimento adquirido. Essa abordagem reflexiva favorece o desenvolvimento do pensamento crítico e amplia a capacidade dos estudantes de avaliar e ajustar suas práticas.
No contexto contemporâneo, a introdução de tecnologias, como a Simulação Baseada em Vídeo (SBV), tem ampliado ainda mais o alcance e a eficácia dessas práticas. Por meio de vídeos cuidadosamente roteirizados e produzidos, é possível recriar cenários clínicos que podem ser utilizados como material didático em diferentes contextos. Essa modalidade possibilita o aprendizado assíncrono, permitindo que os estudantes analisem os vídeos em seu próprio ritmo, promovendo flexibilidade e personalização no processo educacional.
Por essas razões, as simulações são vistas hoje como uma abordagem inovadora e indispensável para o ensino em saúde, potencializando a formação de profissionais mais preparados, críticos e sensíveis às demandas do cuidado humano. Sua aplicação estratégica no currículo, aliada a métodos pedagógicos eficazes, como o debriefing e o uso de tecnologias audiovisuais, tem demonstrado bons resultados na qualidade da educação e na segurança do paciente, consolidando seu papel como uma ferramenta transformadora no ensino-aprendizagem.
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