Glaucio Aranha
O artigo “Formações Imaginárias e Modos de Endereçamento: uma Aproximação Teórica a partir da Posição de Sujeito” de Alexandre Rossato Augusti, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explora a interseção entre a Análise do Discurso (AD) da linha francesa e os modos de endereçamento na teoria do cinema. O foco principal é a noção de Formações Imaginárias, abordada na AD, pela sua semelhança com os modos de endereçamento (ME). O artigo discute como esses conceitos se relacionam com a posição de sujeito, texto imaginário e poder, enfatizando suas implicações nas relações entre textos de filmes e a experiência do espectador, bem como na estrutura narrativa e interpretação literária.
Augusti argumenta que o modo de endereçamento no cinema é um processo pelo qual se convoca o espectador a uma posição específica, influenciando sua interpretação e reação ao filme. Esta abordagem é usada para entender a relação entre o texto de um filme e a experiência do espectador. A ideia é que os filmes, assim como outras formas de arte e comunicação, endereçam suas mensagens para públicos específicos, tentando controlar como essas mensagens são recebidas e interpretadas.
O conceito de Formações Imaginárias, por sua vez, ajuda a entender como os sujeitos e objetos são representados no discurso. Augusti explora como as imagens e ideias que constituem essas formações são influenciadas pelas relações de poder e pelas expectativas sociais. Através delas, passa-se das situações empíricas dos sujeitos para suas posições no discurso, construindo uma ordem simbólica que representa o real.
O artigo também discute como os modos de endereçamento e as Formações Imaginárias estão intrinsecamente ligados ao poder. No cinema, por exemplo, a escolha de como um filme aborda seu público pode refletir e perpetuar dinâmicas de poder e subjetividades específicas. Augusti argumenta, ainda, que, embora os filmes tentem endereçar seus públicos de maneiras específicas, sempre há uma margem de variação, pois os públicos reais podem interpretar e reagir aos filmes de maneiras imprevistas e diversa.
Por fim, sugere que o estudo dos modos de endereçamento e das Formações Imaginárias pode revelar muito sobre as relações entre texto, autor, espectador e sociedade. Ao entender como esses conceitos funcionam, seria possível obter uma compreensão mais profunda das complexas interações entre arte, comunicação e experiência humana.
Referência
AUGUSTI, Alexandre Rossato. Formações Imaginárias e modos de endereçamento: uma aproximação teórica a partir da posição de sujeito. In: XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2004, Porto Alegre. Anais do XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2004. Para acessar o arquivo, clique aqui.
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