Por Glaucio Aranha
A série “13 Reasons Why,” produzida pela Netflix, provocou um alvoroço considerável desde sua estreia em março de 2017. Baseada no romance homônimo de Jay Asher, a primeira temporada mergulhou em temas sociocientíficos, como depressão, uso de substâncias ilícitas, suicídio adolescente, bullying, agressão sexual e outros. O artigo científico, intitulado “Popular media as a double-edged sword: An entertainment narrative analysis of the controversial Netflix series 13 Reasons Why,” de Hua Wang e Juliet Parris, publicado na revista PLOS ONE, em 2021, faz uma análise crítica desta série controversa.
A série se destacou por seu propósito duplo: entreter e provocar conversas sobre tópicos que muitas vezes são evitados. No entanto, a controvérsia surgiu, principalmente, em torno da cena de suicídio da personagem principal, Hannah, levando a debates sobre sua representação e impacto. Com mais de seis anos desde a polêmica inicial e dezenas de publicações acadêmicas posteriores, este estudo foi o primeiro a examinar detalhadamente o conteúdo narrativo de entretenimento da primeira temporada.
Os autores basearam sua análise nos princípios da teoria do enquadramento e da teoria social cognitiva em pesquisa de comunicação e estudos de mídia. Eles adotaram uma abordagem de análise narrativa para investigar todas as 660 cenas em 13 episódios. Seus achados forneceram uma evidência empírica essencial, contextualizada com exemplos detalhados, que demonstram que uma série de entretenimento popular atua também como uma espada de dois gumes.
Se, por um lado, os elogios são merecidos para a equipe de produção da série, que teve a coragem de abordar questões sociais e de saúde mental que afetam a juventude, por outro, a análise revela áreas em que a série poderia aprimorar sua responsabilidade social. Podemos perceber que a série “13 Reasons Why” é um exemplo vívido de como os meios de comunicação desempenham um papel importante na produção de sentido na sociedade contemporânea. Ela desafia os limites convencionais das narrativas televisivas, abrindo espaço para discussões profundas sobre o mundo que nos cerca. No entanto, também nos alerta sobre a necessidade de considerar cuidadosamente o impacto das histórias que contamos, especialmente quando se trata de questões tão delicadas.
O artigo de Wang e Parris é uma leitura valiosa para aqueles interessados na interseção entre mídia, semiótica e produção de sentido. Oferece uma visão crítica sobre como a mídia popular pode influenciar a percepção e compreensão de questões sociocientíficas, ao mesmo tempo em que nos alerta para a importância de um maior cuidado e responsabilidade na narrativa audiovisual contemporânea.
Referência
Wang, H., & Parris, J. J. (2021). Popular media as a double-edged sword: An entertainment narrative analysis of the controversial Netflix series 13 Reasons Why. PloS one, 16 (8), e0255610. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0255610
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