No artigo “Effects of live and video simulation on clinical reasoning performance and reflection”, publicado em 2020, na revista científica Advances in simulation, Timothy Cleary e sua equipe apresentam os resultados de uma pesquisa que investiga os efeitos das simulações ao vivo e em vídeo no desempenho do raciocínio clínico e na reflexão dos médicos. O estudo aborda uma lacuna significativa na literatura, analisando como diferentes abordagens de simulação afetam as habilidades cognitivas e regulatórias dos médicos durante atividades de raciocínio clínico.

O estudo envolveu 38 médicos militares de diferentes especialidades e níveis de experiência, que foram aleatoriamente designados para participar de cenários ao vivo ou assistir a casos em vídeo. Ambos os grupos passaram por duas etapas: um encontro com um paciente fictício e uma atividade de reflexão em vídeo. Após o encontro com o paciente (ao vivo ou em vídeo), os médicos completaram um Formulário de Pós-Encontro, responderam a perguntas de microanálise e indicaram o esforço mental empregado. Eles também foram instruídos a assistir novamente o vídeo de sua própria interação com o paciente (ao vivo) ou o vídeo do caso (vídeo), compartilhando seus pensamentos sobre como chegaram ao diagnóstico e plano de tratamento.

Os resultados revelaram diferenças significativas entre os grupos em relação ao desempenho do raciocínio clínico, com os médicos que participaram dos cenários ao vivo apresentando um desempenho superior. Além disso, o grupo de simulação ao vivo demonstrou um perfil distinto de julgamentos reflexivos e processamento cognitivo em comparação com o grupo de simulação em vídeo. Os participantes do cenário ao vivo dedicaram mais atenção aos aspectos do processo de raciocínio clínico e demonstraram um processamento cognitivo de nível mais elevado.

Os autores sugerem que a simulação ao vivo pode proporcionar um ambiente mais envolvente, no qual os médicos se concentram mais diretamente no processo de raciocínio clínico e na integração de dados. No entanto, eles também mencionam a eficiência e acessibilidade das simulações em vídeo, que permitem uma revisão detalhada das interações e uma reflexão mais cuidadosa.

Tais conclusões não descartam a relevância das simulações em vídeo, mas evidenciam a demanda de que a linguagem videográfica precisa ser repensada e melhor planejada, a partir da adoção de estratégias específicas que possam suprir os efeitos do distanciamento face-a-face.

Uma contribuição valiosa do estudo é sua abordagem multifacetada para avaliar o raciocínio clínico. Além das avaliações tradicionais de desempenho, os pesquisadores exploraram as percepções dos médicos sobre os desafios enfrentados e as inferências adaptativas feitas durante a reflexão pós-atividade. Isso revela insights sobre como os profissionais de saúde avaliam suas próprias ações e processos de pensamento durante as simulações.

A pesquisa oferece uma compreensão aprofundada dos efeitos diferenciados das abordagens de simulação ao vivo e em vídeo no desenvolvimento do raciocínio clínico e na reflexão dos médicos. Ela aponta para a importância de considerar tanto os aspectos cognitivos quanto os regulatórios ao projetar e implementar ambientes de simulação para o treinamento e aprimoramento profissional na área médica.

Artigo completo:

Cleary, T.J., Battista, A., Konopasky, A. et al. Effects of live and video simulation on clinical reasoning performance and reflection. Adv Simul 5, 17 (2020). https://doi.org/10.1186/s41077-020-00133-1


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