Que tipo de estranho é você,
quem vem ao meu espelho me dizer
que o tempo é passado?
Que tipo escreve as linhas do iletrado?
Que tipo de taxonomia
lapida minha vida em eras, anos, meses, dias
e me apresenta em uma linha
marcos aos quais Eu não pertencia?
Que tipo de cronoabandono
despeja o inquilino dos anos
no quarto mudo e sem paredes
do futuro?
Que tipo de incerteza toda é essa,
que se traveste de ocupação e pressa,
que se disfarça em tantos afazeres?
Que tipo me escreve no silêncio do espelho?
(“Tipografia”, 10/03/2017. In: Aranha, Glaucio. A sensação de não estar no todo. Rio de Janeiro: Ciências e Cognição, 2025.)

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