3 vezes. 3 vozes. 3 normas.

Menino meio Besta

vê a aurora,

essa hora dos anjos.

Manhã que morre na tarde,

Que morre na noite,

Que morre na manhã.

Eu brincava de contar histórias.

Trabalhava numa ficção.

Pôr do sol sobre as ficções de minha história.

3 vezes. 3 vozes. 3 normas.

Inconfessável ânsia de fugir

da impermanência do existir.

3 vezes. 3 vozes. 3 normas.

Eu aceito, eu desisto, eu refaço.

Sou, assim,

sem Sol,

sem Ser,

sem Substância.

[“Normas”, 2016. In: Aranha, Glaucio. A sensação de não estar no todo. Rio de Janeiro: Ciências e Cognição, 2025.]


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